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sábado, julho 14, 2012

Lobão e as verdades da vida



Ontem fui num show de Lobão. No "Dia do Rock" - mais uma das datas inventadas como "Dia das Mães" ou agora o "Dia do Homem", porque vamos combinar que rock, mãe, homem, etc não precisam de dia, né? - o Circo Voador foi à loucura com o som nas alturas, a voz rouca e o rock n' roll "meio non sense" do velho lobo que tem a inocência que querer acabar com o "complexo de decência" do salão pelo menos por algumas horas.

Que grande bobagem acabei de escrever. Mas quem se importa? Isso é só um blog que não faz mal a ninguém. O que eu quero falar neste post é sobre um trecho de Rádio Blá, música que eu amo.

Para os puritanos de plantão, deixo um aviso: este post fala de sexo, drogas e rock 'n roll.

Dito isto, sigamos em frente.

A letra "oficial" diz:

Sua vida burguesa é um romance
Um roteiro de intrigas
Pra Fellini filmar
Cercada de drogas, de amigos inúteis
Ninguém pensaria que ela quer namorar
Reconheço que ela me deixa inseguro
Sou louco por ela e não sei o que falar
O que eu quero é que ela quebre a minha rotina
Que fique comigo e deseje me amar.


Mas a versão dos shows diz algo como:

Sua vida burguesa é uma grande merda
Um roteiro de intrigas
Pra Fellini fumar
Cercada de ________
(ele faz uma crítica a qualquer coisa que esteja em voga no momento, pode ser sobre músicas MPB, atores da Globo, roubalheira dos políticos, etc)
Ninguém pensaria que ela quer fuder
Reconheço que ela me deixa de pau duro
Sou louco por ela e não sei o que falar
O que eu quero é que ela quebre a minha rotina
Que fique comigo e deseje me amar.


E ai eu fiquei pensando, após a catarse adolescente aos 33 anos de cantar isso aos berros e pulando, que a vontade para que "alguém quebre a nossa rotina" só vem mesmo de um Louco Desejo. Do pau duro e da vontade de fuder. Ninguém que deixa a outra pessoa insegura é capaz de quebrar a rotina, certo?

domingo, junho 17, 2012

quarta-feira, maio 04, 2011

Conto de fadas moderno

E nesses tempos em que os contos de fada voltaram ao imaginário com o casamento de Will & Lady Kate, me peguei lembrando de uma "estória real" que aconteceu num reino não tão distante daqui...

Era uma vez um rapaz simpático e bonito para os padrões locais que, ao longo de sua juventude tresloucada, mudava de namorada, mas não mudava de "amante".

Será isso o amor verdadeiro? Será isso um conto de fadas ao modo "Charles & Camila"?  Será que um dia os dois pombinhos viverão felizes para sempre? Sim, eles serão felizes para sempre. Mas não necessariamente juntos, né?

Será que certo está Zeca Baleiro que diz que "se ela faz com ele vai fazer comigo"? Eu acho que sim.

segunda-feira, outubro 18, 2010

Saudade segunda-feirina

Engraçadíssimo ter encontrado isso hoje, numa segunda-feira também cinzenta, quase dez anos depois de ter escrito.

Da série "Crônicas de Tati esquecidas num fundo de armário":

"Segunda-feira, fim de tarde. Percebo que tenho uma nova mensagem em meu celular. E eis que quando abro: uma surpresa. O texto, de um torpedo enviado pela internet dizia: “saudade Ass: Eu”. Sim, alguém sentia saudade de mim... Que bom! Mas quem, Deus? Não sei quem... Que ruim! Começam as elucubrações... Não, fulana assinaria a mensagem. Não, fulano não tem o perfil de quem faz essas coisas... Já sei, só pode ter sido o meu irmão entediado sem ter o que fazer, tirando onda comigo... Não, não foi ele também...
Quem foi Deus?! Quem no mundo faria tal maldade? Isso é uma brincadeira com os meus sentimentos, não se faz... E se tiver sido engano? Pôxa vida... pode ter sido engano... E se foi engano, ninguém sente saudade de mim... :-(
Pôxa vida, ainda se brinca de bilhetinho anônimo a esta idade?! Que homem é esse que não assume estar com saudade? Será que foi um homem mesmo? Pode ter sido uma mulher, alguma amiga de Recife.
Saudade na tarde de uma segunda-feira cinzenta? Mas nada especial aconteceu no fim de semana... Ou será que aconteceu? Não, não pode ser... É saudade então do passado. Mas o quê propriamente?
Que maluquice! Alguém queria que eu soubesse que estava com saudade de mim... Mas não teve coragem de se identificar. Teve medo de se expor? Achou ridículo ter saudade? Teve certeza que eu saberia quem era, logo não precisaria se identificar? Das duas uma: ou é muita pretensão da parte dele (a), ou eu estou redondamente enganada com o perfil que faço das pessoas...
Resultado: a pessoa não quis se expor e agora está completamente exposta porque eu quero saber quem foi... Alguém tem a solução para este mistério?"

sábado, junho 19, 2010

Conto de uma tarde de inverno

Once upon a time, nos idos dias de 2004, escrevi um conto sobre um encontro meu com Chico. O engraçado foi que em 2005 ele foi flagrado em uma situação super parecida. E eu pude até brincar com os meus amigos de que a moça da foto que estampou as revistas de fofoca era euzinha da silva.
Hoje Chico completa 66 anos e Ana Prôa me pediu para publicar esse texto, até então restrito a emails entre amigos. Aqui está:


Quarta-feira, 02 de março de 2005.
Assunto: ih... descubriram nosso romance e agora sou capa de QUEM!!! hahahahahahaha

Glamurama - 01/03 - 12:49 - Mais discreto impossível... Chico Buarque, quem diria, foi flagrado dias atrás no maior chamego com uma morena de parar o trânsito, em plena Praia do Leblon. Só restou ao compositor pedir ao paparazzo para que não publicasse a foto. Claro que seu pedido não foi atendido: o beijoqueiro é a capa da revista "Quem", que sai nesta quarta-feira.
alguns de vcs já conhecem essa estória, mas agora o contexto é outro! Divirtam-se!
 
Não falta mais ninguém... nem Chico!

E eu que vivia dizendo por aí que um dia ainda ficaria com Chico. Precisava apenas que eu tivesse uma oportunidade, que o conhecesse. Pois bem, minha profecia se concretizou... Vocês não vão acreditar! Hahaha! Hoje eu conheci Chico. Hoje eu beijei Chico!

Eu fui realmente muito maluca! Mas agora me sinto a pessoa mais feliz do mundo! Mais feliz e mais realizada! Agora não falta mais ninguém!

Querem saber como foi? Lá vai então...

Estava andando na beira da praia, perto da casa dele, lá no Leblon. Tava uma tarde meio estranha, cinza e eu andava toda distraída... Pensando na vida... Nunca imaginei que conheceria Chico numa tarde cinza... Logo numa tarde cinza! Meu Deus! Meu encontro com Chico merecia um céu azul e um belo pôr do sol... Mas a vida é irônica e eu conheci Chico numa tarde cinza de começo de inverno, para fugir do clichê, talvez...  

Pois bem, eu estava andando distraída, pensando na vida, jogando água gelada para cima com os pés. Até que de repente, eu dei um chute na água mais forte e molhei o senhor que estava andando um pouco mais na minha frente. Ele virou de costas puto da vida e assustadíssimo, claro! Imagine, você está andando na beira do mar e de repente recebe aquele banho de água fria pelas costas... Ele se vira, depois de soltar um sonoro porra, e eis que eu havia molhado simplesmente Chico Buarque!

Demorou uns dois segundos para que a ficha caísse de que aquele senhor que eu molhei era Chico. Mas quando me dei conta, quis morrer. Afogada de preferência, claro!

Pedi desculpa, disse que estava distraída, gaguejei, paguei todos os micos possíveis. Comecei com aquele discurso... Meu Deus, como posso ser tão avoada... Me desculpe, por favor!

Ele acabou rindo de mim. E eu não acreditei que tinha feito Chico sorrir! Eu tinha feito Chico sorrir depois de dar um banho gelado e salgado nele! Nossa, ele nunca vai me esquecer, pensei. De certa forma, já sou inesquecível para ele. O que mais eu poderia querer da vida?! Hum?!

Pois bem, vocês sabem o que eu queria... e afoita como eu sou... não poderia perder a chance! Comecei a andar ao lado dele. Vejam só! Eu sempre havia dito a vocês que ele é uma pessoa de carne e osso, logo “alcançável”... Aliás, às vezes eu caía em contradição, não era? Porque muitas vezes eu disse que Chico era de Marte porque eu, no alto do meu egocentrismo (ou chicocentrismo), não podia acreditar que ele, tão genial, fosse um ser humano igual a mim...

Pois bem, lembrando que ele era uma pessoa e não um marciano, eu fiquei mais à vontade e comecei a andar do lado dele. Ficamos conversando. Um monte de besteira. Eu estava andando na beira da praia ao lado de Chico Buarque (pôxa, como ele anda rápido! Tô aqui com a maior dor na batata da perna por causa do exercício tão puxado!) e falando besteira! A gente sempre pensa que só pode ter papo cabeça com ele... e eu tava lá falando um monte de besteira... Até perguntei se ele sabia onde os smurfs moravam... Ele disse que não e eu apontei, com meu dedo indicador para o morro do Vidigal e cantei a musiquinha dos smurfs: lá lá lá lá lá lá lá!

Logo eu que já fiz poema e música para ele, estava lá, contando uma piada absurda de boba como essa... Mas no fundo eu fui muito esperta, sabia? Se eu ficasse tratando-o como um ser inatingível, ele não teria ficado conversando comigo... Teria ido embora.

Andamos, falamos dos jornais, das ilhas do mar que parecem mudar de contorno a cada dia, rimos outras vezes do banho que eu dei nele, falamos de Paris e eu me senti como se o conhecesse há milênios! Aí, começou a escurecer e eu lembrei do quão longe eu já estava de casa. Ele estava bem perto de sua casa e como a roupa ainda estava molhada, ele achou melhor ir embora, para não ficar com frio.

Nossa despedida foi engraçada! Eu havia dito a Chico que estava procurando emprego e ele, antes de ir embora, pediu ao rapaz da barraca de coco uma caneta. Pegou um guardanapo e pediu meu email... Eu quase morri! Mas disfarcei, claro! Com naturalidade disse meu e-mail. Chico anotou e disse que iria me mandar um email para que eu mandasse meu currículo para ele. hahahaha

Aí nos abraçamos. Demos dois beijinhos. E eu disse: “se cuide, viu?! E comporte-se! Não fique aí ao relento com essa roupa molhada, viu seu moço!” Ele olhou para mim e disse: “a senhorita também se comporte! Não saía por aí molhando as pessoas! Comporte-se bem... Aliás, comporte-se mal, que é sempre mais interessante!”

Meu Deus! Não pude acreditar! Chico Buarque estava a um palmo de mim, me aconselhando a me comportar mal porque é sempre mais interessante... 

Não pensei duas vezes: puxei-o pelas bochechas e taquei um beijo na boca! Beijei de verdade! Mas estraguei o beijo porque comecei a rir... Sou uma lesa, né? Beijo Chico Buarque e estrago o beijo rindo!

Aí olhei para ele, naquele olho que tava um azul meio cinza também e disse: “foi você quem mandou me comportar mal...” Ele ainda estava sem entender direito o que tinha acontecido, mas riu de mim. Eu, depois dessa loucura, tremia mais que vara verde... Ainda tremo agora, enquanto escrevo, só por lembrar!

Não soube o que fazer, ou como esconder que tava toda errada e vim embora. Dei as costas para Chico enquanto ele ainda ria tentando entender o que beijo tinha sido aquele... 

Agora que estou em casa, duvido de-o-dó (duvidar de-o-dó é bem mais forte que simplesmente duvidar...) que ele me mande email algum... Mas gente, vocês têm que concordar comigo... Eu não pude deixar escapar a oportunidade!

É isso!
Hoje eu não vou mandar beijo não... Quero guardar só para mim o gosto de Chico!
Tati